Simplicidade requer coragem.

Essa é uma das afirmaçōes mais verdadeira sobre se tornar minimalista. Seguir por esse caminho requer a coragem de se desfazer de muitos itens, sentimentos, pessoas e hábitos ruins.

Requer a coragem de se aceitar, nua, crua e simples; a coragem de ver o mundo e a si mesma sem apetrechos e eufemismos, de deixar de lado o status de possuir, e criar o status de ser.

Nas primeiras vezes que ouvi sobre minimalismo, eu tinha uma idéia bastante estereotipada sobre esse estilo de vida, que certamente não me atraia. Alguns anos, muitos blogs e alguns minimalistas na minha vida depois me fizeram ver o quão errada eu estava.

É um grande erro achar que levar uma vida minimalista é algo sem sal, simplista ao extremo, entediante.  Minimalismo não se remete a vida dos monges ou hippies.

Pode ser, se assim você quiser. Mas não é o conceito básico.

Não existe uma fórmula que defina o que é ser minimalista.

Minimalismo é a ferramenta que te ajuda a eliminar tudo o que for excessivo, a encontrar liberdade e evoluir ao fazer isso. Liberdade das amarras sociais e culturais, de bens materias supérfluos, de sentimentos e pessoas prejudiciais.

Ele te ajuda a fazer a decisão consciente do que é importante na sua vida, a se livrar do desnecessário e abrir espaço para o que te traz felicidade.

Minimalismo é um estilo de vida que preza eliminar as distraçōes, sentimentos e obrigaçōes desnecessárias.

Não é ter um guarda-roupa cápsula ou possuir menos de 100 itens, não ter um carro e/ou TV em casa, não ter filhos, ser rico, nômade digital, não consumir fast fashion ou ter uma casa toda decorada em branco e cinza. Ser minimalista é uma mentalidade, um estilo de vida, e não uma contagem de itens ou regras fixas.

O conceito vai além disso, é sobre otimização de tempo e espaços, sobre desenvolvimento pessoal, sobre melhorar a qualidade de vida, e é aplicado a cada pessoa de maneira diferente. Você, e só você precisa achar o seu sweet spot, o que se encaixa na sua realidade. Talvez você seja fotógrafa e precise de muitos equipamentos de fotografia, talvez você ame maquiagem (assim como eu!) e não veja um sentido em se livrar delas, e isso é ok, desde que exista um propósito pra esses itens existirem no seu espaço.

Viver mais com menos.

Um minimalista não perde o fim de semana limpando e organizando itens que não agreguem valor – porque ele fez a escolha consciente de não os comprar em primeiro lugar, e ter a liberdade de usar esse tempo com pessoas ou hobbies que realmente lhe dêem prazer.

Um minimalista reduz a poluição visual e sonora do ambiente em ordem de encontrar paz interior,  clareza no pensamento e com isso aumentar sua criatividade e produtividade. Um minimalista cria ambientes descomplicados, simples e organizados.

A ideia é simplificar a vida, tomar menos decisōes desnecessárias, ser mais racional em suas escolhas.

No sentido material, minimalismo ensina a priorizar qualidade à quantidade, porque melhores materias tendem à durar mais; a se cercar somente de itens que você ame e realmente precise, e a não comprar por impulso.

É importante pensar antes de gastar recursos e adicionar um item a sua coleção, pois cada item na sua vida demanda um tempo de manutenção. Uma peça no seu guarda roupas significa que você vai gastar o seu tempo lavando-a, passando-a, guardando-a e eventualmente fazendo a limpeza do seu closet. Um artigo de decoração significa que você vai gastar tempo limpando-o. Uma estante cheia de bibelôs demanda mais tempo de manutenção do que uma estante vazia.

Minimalistas gastam menos tempo procurando por coisas.

Faça escolhas conscientes: quais objetos e posses realmente merecem o seu tempo, te agregam valor e/ou te trazem alegria? Mary Kondo tem uma regra de ouro pra definir o que deve permanecer na sua vida: “Isso me traz felicidade?”. Doe, venda ou coloque no lixo tudo aquilo que não tem propósito e não lhe trás felicidade.

Defina seu estilo, o que te deixa feliz, e mantenha-o. Não compre itens que não te representem porque é escolha mais barata. O exterior é uma extensão do seu interior.

Eu sou uma pessoa que gosto de peças clássicas, mas passei boa parte da minha vida comprando roupas que não tinham nada a ver comigo e que acabavam no fundo do meu guarda roupa sem uso. Elas não faziam com que eu me sentisse incrível quando as vestia, não traduziam quem eu era. Eram simplesmente isso: a escolha barata.

Quando eu defini o meu estilo e me encontrei nele, eu fiquei mais confiante para investir meu dinheiro em uma quantidade menor de posses, mas naquelas que representam o que eu sou e o que eu gosto.

Minimalismo é mais sustentável.

Você passa a produzir menos lixo no mundo, a gastar menos recursos, polui menos e causa menos impacto no meio ambiente.

Minimalismo levanta a bandeira que você não precisa ser um millennial super ocupado, multi tasking 18 horas por dias para se sentir válido. Você não precisa fazer tudo, fazer demais, ter a vida resolvida aos 22. Isso é sobre constante evolução.

Precisamos parar de glorificar o stress e a correria. Otimização de tempo e tarefas é importante para se desenvolver, com saúde.

Minimalismo é dizer não quando se quer dizer não.

Não é egoísta fazer a escolha de gastar o seu tempo apenas com pessoas que te fazem bem, e a se afastar de relacionamentos tóxicos. Também não é egoísta escolher suas experiências. O seu tempo é precioso.

Eliminar o superficial e supérfluo fica simples com as perguntas básicas do minimalismo: “Esse item/pessoa/sentimento adiciona algum valor a minha vida?”, “Eu realmente preciso disso?”, “Eu realmente amo isso?” “Eu ainda vou me importar com isso daqui 1 ano?”

Quando eu aprendi tudo isso, minimalismo fez sentido e colocou ordem na minha vida. Minimalismo me ensinou a encontrar felicidade, aceitação e evolução vinda de dentro. Eu parei de perder o sono em cima da opinião alheia e o que não fará a minima diferença em minha vida.

Não, minimalismo não é moda de rico.

Pode parecer hipocrisia falar de minimalismo em um mundo onde muitos não tem o básico para sobreviver, quem dirá poder pagar os preços das marcas sustentáveis e ecológicas. Mas eu acredito que o conceito vem de mãos dadas com igualdade, sustentabilidade, progresso coletivo e desenvolvimento pessoal.

Aqueles que tem o poder de escolher por causar menos danos, devem fazê-lo. É preciso tratar a doença do consumismo desenfreado, do fast fashion. É preciso mostrar que uma vida de propósitos é algo simples de se alcançar. Que as futilidades, as dívidas geradas pelos excessos, a ansiedade e depressão causadas por uma sociedade com padrōes doentis podem ser combatidos.

Minimalismo é a maneira de educar e mostrar uma alternativa para o vazio do acúmulo desnecessário, é uma ferramenta que educa a fazer decisōes mais conscientes diariamente. Não é sobre ser perfeito, é sobre evolução constante e não aceitar o que é imposto antes de ter refletido sobre os impactos.

Minimalismo é escolher conscientemente gastar a sua vida e os seus recursos no que importa, ao invés de desperdiçá-la com distraçōes.

Ninguém pode te dar uma formula pronta, mas você pode começar eliminando tudo aquilo que te tira o foco do que realmente importa.

Se você decidir se tornar um minimalista, aproveite a jornada de explorar a si mesmo, mais consciente, mais curioso, mais confiante, mais vivo. Tudo o que eu tenho é tudo o que eu preciso. 😉

 

 

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